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A Escola de Sagres realmente existiu?


A Escola de Sagres realmente existiu?


Suposto centro português servia para reunir grandes nomes da navegação


Luciana Taddeo

Nos relatos e crônicas sobre as viagens de descobrimento no século 15 não há nenhuma alusão à existência da Escola Naval de Sagres, que teria sido fundada pelo príncipe português dom Henrique (1394-1460), filho de dom João I. Supostamente, no local se reuniam exploradores, cientistas e famosos professores estrangeiros. Lá, eles definiam métodos para navegar, desenhar cartas e adaptar navios, de acordo com observações astronômicas, meteorológicas e oceanográficas. Entre os freqüentadores, estariam grandes descobridores como Cristóvão Colombo, Bartolomeu Dias e Vasco da Gama.

No livro Frei Gonçalo Velho (inédito no Brasil), de 1899, o historiador português Ayres de Sá é categórico: “Não consta a fundação de um observatório e escola em Sagres ou em qualquer outra parte. Não existe o mínimo sinal de antigo edifício desse gênero. Finalmente seria para espantar que uma tão importante inovação passasse despercebida aos próprios biógrafos do infante, seus contemporâneos, e que os sábios estrangeiros fossem, por tal forma, desprezados que nem se lhes sabe os nomes”.

Já Thomaz Oscar Marcondes de Souza, sócio emérito do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, escreveu na Revista de História, em 1953, que existia um escola, mas não era tão badalada assim – e nem ficava em Sagres. “Ensinou-se sim, mas em Lagos [sul de Portugal]. De lá partiam para a costa ocidental da África os navios da empresa dos descobrimentos. À medida que as embarcações avançavam para o sul, ao longo do litoral africano, surgiam problemas náuticos, que pouco a pouco eram resolvidos, do que resultava a aquisição de conhecimentos práticos da arte de navegar.”

Ele afirma, no entanto, que o ensino no porto de Lagos era rudimentar e que somente nos últimos anos do reinado de dom João II houve de fato estudos científicos na navegação portuguesa, que chegaria ao apogeu com dom João III, entre 1521 e 1557. Os portugueses eram exímios navegantes, mas não tinham exclusividade sobre o conhecimento. “Nenhum segredo era privativo dos náuticos portugueses. A caravela não era invenção nem de uso exclusivo deles”, segundo Marcondes de Souza.
Fonte do texto: Revista Aventuras na História edição 055 - fevereiro de 2008



Igreja cemitério, funeral excêntrico e Vovô Índio


Danila Moura

Enterro 1


Por volta do século 18, as igrejas de São Paulo eram uma visão do inferno. Nelas se enterravam os mortos, sem caixão, muitas vezes em covas tão rasas que era comum pisar em algum osso, pois alguns templos tinham chão de terra batida, sem pavimento. O cheiro era insuportável e o santuário virava foco de doenças. Quase não havia cadeiras. Pobre das beatas, que rezavam ajoelhadas no chão, o que já devia valer para pagar os pecados.

Enterro 2


Havia funerais com rituais um tanto, digamos, excêntricos. Escravos negros, por exemplo, ao enterrarem os corpos, socavam a terra com enormes pilões, cantando: “Zóio que tanto vê, zi boca que tanto fala, que tanto comeu e trabalhou. Zi perna que tanto andou. Zi pé que tanto pisou...” O caixão, usado só para velar o corpo, era então lavado e guardado para ser usado novamente. A população evitava morar perto das igrejas, pois diziam que de madrugada ressoavam músicas e batidas de pilões vindas dos templos vazios.

Papai noel brazuca


Em 1950, os integralistas resolveram dar baixa no Papai Noel, acusando-o de ser antinacionalista. Inventaram um tal Vovô Índio, filho de escravo africano com índia. Criado por uma família branca, ele foi alforriado pelo irmão. Velhinho, contava histórias para as crianças. No Dia de Reis, dava bonecos que ele mesmo esculpia de presente – nada de brinquedos estrangeiros.



Fonte do texto: Revista Aventuras na História edição 055 - fevereiro de 2008




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